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ASCENDENTES

                        Por parte da mãe da minha mãe.  Tenho como tataravós Cassiano Alves Duarte, Balbina d'Oliveira Duarte, Cassiano de Salles Duarte e Thereza Salles Duarte, e como bisavós Germano d'Oliveira Duarte e Rita de Salles Duarte. Minha avó, Nair Salles Duarte - que passou a assinar Nair Duarte Cobério - cujo nome tenho maior respeito e admiração (pois sendo mulher, além de trabalhar fora, nos Correios e Telégrafos, teve a coragem, naquela época,  de tomar a iniciativa e encarar todas as conseqüências de uma separação de um casamento que mais não lhe convinha), nasceu ela em Cataguases-Minas Gerais-Brasil, no dia 07 de janeiro de 1894. Casou-se com meu avô, Domingos Cobério, no dia 04 de setembro de 1911, em Santos Dumont-Minas Gerais. Em Belo Horizonte, no dia 24 de agosto de 1912,  deu a luz à minha mãe, Lurdes Duarte Cobério - que passou a assinar Lourdes Cobério Terena, depois de casar-se, em Belo Horizonte -Minas Gerais, com meu pai, Horácio Terena Guimarães. Minha mãe foi uma mulher exemplar. Dela adquiri os princípios de honestidade intransigente, honradez, cumprimento estrito do dever e grande disposição para o trabalho. Na época em que os salários das professoras primárias atrasavam em mais de seis meses, trabalhava ela pela manhã, à tarde e à noite para, somente sob às suas expensas, criar e educar os oito filhos, dos quais dois adotados. 

                        Por parte do pai da minha mãe. Meu tataravô, Ygnacio Cuveria, filho de Antonio Cuveria e Josefa Gutierrez Cavallero, nasceu em Aldeacueba, Valle de Carranza - Província de Viscaya. Minha tataravó, Joaquina Ortiz, filha de Pablo Ortiz e Maria Gomes,  nasceu em Calera del Prado, Valle de Carranza - Província de Viscaya, estes por partes do meu bisavô, Tibúrcio Cuveria.  Já minha bisavó, Maria Cruz Palácio foi filha de Manuel Palácio y Ramona Trápaga, ambas, minha tataravó e bisavó,  nascidas em Sangrices, Valle de Carranza - Província de Vizcaya. Todos foram lavradores nascidos e criados no país Vasco, norte da Espanha. Meus bisavós, Tibúrcio Cuveria e Maria Cruz Palácio, se casaram no dia 23 de outubro de 1880,  em Sangrices, Valle de Carranza. Em 21 de dezembro de 1887, em San Salvador del Valle, hoje denominada Valle de Trápaga, ou Trapagarán - Província de Viscaya, nasceu meu avô DOMINGOS CUVERIA, cujo sobrenome foi, arbitrariamente, aportuguesado pelo agente de imigração como COBÉRIO. Meu avô foi um homem batalhador, digno e altamente responsável. Imigrante Vasco, soube vencer neste país que fizera seu, mesmo tendo que educar sete filhos, sozinho.

                        Sobre o meu pai, Horácio Terena Guimarães, cujo registro de nascimento fora feito por ele mesmo, nos termos do Decreto 19.710 de 1931, dado-o como nascido, no Distrito Federal - Estado do Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1905, pouco sei, face à sua total irresponsabilidade com a família. Nesta certidão dá meu avô como se chamando Hemetério Guimarães e minha avó Noemia Santos Guimarães. Meu avô tinha origem portuguesa, e minha avó, dizem, seria índia, por isso meu pai, em sua homenagem, teria adotado o sobrenome Terena e colocado, nos seus filhos, nomes de origem indígena, prática que segui.  

NASCI

                        Em Belo Horizonte - Minas Gerais, no dia 21 de setembro de 1941, no hospital do IPSEMG, pois minha mãe era professora primária estadual. Nesta época morávamos no bairro Santa Tereza.

LOCAIS DE MORADIA E ESTUDO.

                        Lembro-me pouco da minha infância. Apenas sei, por ouvir dizer, que moramos, em certa época, em Sepetiba, Estado do Rio de Janeiro. Recordo-me, vagamente, de ter morado no Meyer, Distrito Federal, nos idos de 1945. 

                        Em Belo Horizonte, sem poder rememorar detalhes, moramos num hotel perto da Feira de Amostras, onde hoje funciona a Rodoviária Central. Vaga recordação tenho, também, de ter estudado no Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, no bairro Horto Florestal. Depois fomos viver numa casa, na rua do Cobre no bairro da Serra, do outro lado do córrego que por lá passava, bem ao lado da Favela do Pindura-saia. 

                        Na época em que morei na rua do Cobre foi quando estudei no Grupo Escolar Augusto de Lima e comecei a freqüentar o Olímpico Clube, ainda na rua Estevão Pinto, quase esquina com avenida do Contorno; estudei no Colégio Municipal, no Parque Municipal e Colégio Santo Antônio. Foi naquele então, na rua do Cobre, que comecei a trabalhar: no bar do Sr. Adão; como carregador na feira-livre; engraxate de sapatos e, finalmente, porteiro no Convento do Colégio Santo Antônio, na rua Pernambuco 880.

                        Em janeiro de 1954, protegido pelo padre franciscano Frei Bertrando Van Breukelen, - figura masculina marcante na formação da minha personalidade - firmeza, franqueza e alto senso de justiça - fui estudar no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont-Minas Gerais, lá permanecendo por 8 anos. Ao seminário e aos padres franciscanos sou eternamente agradecido:  pelos conhecimentos humanísticos a mim ministrado, base que permitiu chegar onde cheguei, inclusive em relação à concepção do mundo, dando-me a possibilidade de consolidar minha consciente convicção de ateu; pela formação do meu caráter e senso de organização e disciplina.  Concluído todo o seminário menor, saí do seminário em 1961, entrando, no ano seguinte, na Faculdade de Direito da UFMG, em Belo Horizonte, tornando-me bacharel em Direito somente em 1967, pois, face às prisões e fugas, principalmente no ano de 1964, perdi o ano por falta de freqüência.

                        Em 1967, fugindo das constantes perseguições da polícia política, vou morar no Rio de Janeiro. Lá trabalhei como professor, no Calabouço; entregador de jornal e, finalmente, como advogado. 

                        Principalmente no período de 1964 a 1971, tenho uma grande gratidão por cinco pessoas que me deram todo apoio e suporte, inclusive financeiro. Na época  minha esposa, Nair de Abreu, pois, sem nada saber sobre minha militância, suportou todas as consequências de minhas atitudes. Minha irmã Aporã Cobério Terena, minha tia Hilda Cobério dos Santos Amaral, meu primo Hilton Cobério dos Santos Amaral e meu saudoso amigo e companheiro de lutas, morto pela ditadura militar em 1971, Antônio Joaquim de Souza Machado. 

POLÍTICA E TRABALHO.

                        No período de 1962 a 1967, em Belo Horizonte, trabalho no SESI; Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, de onde fui, em 1964, sumariamente exonerado por pertencer ao Partido Comunista Brasileiro; Ducal; Cia. Renascença Industrial e Cia. Cimento Portland Itaú.

                        Em novembro de 1962, pelas mãos do colega Aricy Cruvelo D'Ávila, ingressei no Partido Comunista Brasileiro, base da Faculdade de Direito.Participo, em Belo Horizonte e em outras cidades de Minas Gerais, do movimento estudantil; movimento sindical dos serviços sociais, industrial, rural e movimento de favelados. No Rio de Janeiro trabalhei como professor, no Calabouço, entregador de jornal, cobrador e, finalmente, como advogado, inclusive de movimentos de favelados e em favor de presos políticos.

                        Em 1971, incluído na lista dos que deveriam ser mortos, fugi exilando-me no Chile. Lá trabalhei em pesquisa na universidade; na administração de um restaurante e fiz o curso de Mestrado em Administração Pública na FLACSO. Com o golpe contra Salvador Allende em 1973, fomos, eu, mulher e filhos, como refugiados políticos para a Suécia. Lá freqüentamos o curso intensivo de idioma sueco. Em janeiro de 1974, fomos morar na República Democrática Alemã, onde estudei o idioma alemão e trabalhei na Rádio Berlim Internacional como redator, tradutor e locutor de programas para o Brasil. Em 1975 voltamos para a Suécia, onde fiz uma curso de mecânico de ajustes e comandos eletrônicos, pneumáticos e hidráulicos; trabalhei como limpador numa creche e fiz o curso de Doutorado em Sociologia na Universidade de Lund.

                        Com a anistia, retornamos ao Brasil no dia 12 de fevereiro de 1980, voltando para Belo Horizonte. Começo a trabalhar como secretário do Deputado Estadual Cássio Gonçalves. Elejo-me, 1983, vereador à Câmara Municipal de Belo Horizonte, função que exerço até 30 de abril de 1992, quando, por haver passado no concurso, renuncio ao mandato de vereador para tomar posse no cargo de Juiz de Direito no Estado de Minas Gerais. Em 1985, com a legalização do Partido Comunista Brasileiro, transfiro-me para o meu partido a que sempre pertenci, o PCB. Como vereador exerci os cargos de líder do Prefeito, líder de bancada, Secretário Municipal de Cultura, Prefeito interino e Presidente da Câmara Municipal. Chamado para assumir a cadeira de Deputado Federal, pelo PCB, renunciei, pois já havia assumindo o cargo de Juiz de Direito.

                        Hoje sou Juiz de Direito aposentado.

FAMÍLIA.

                        Caso-me com Nair de Abreu, com quem tive 3 filhos, uma menina e dois meninos: Andiara Cobério Terena (1964), que, casada com León de Aguiar,  me deram uma doce netinha Aimara Cobério Terena de Aguiar(1997); Arutãna Cobério Terena Júnior (1965), que, pelo suicídio, veio a falecer em 1988, e   Aripuanã Cobério Terena (1969), que, casado com Patrícia Viana Terena, me presentearum com dois netinhos, a graciosa Cecília Viana Cobério Terena(2004) e, o mais novo membro da família Caio Viana Cobério Terena(2006).

                        Pela Nair, tendo dela me separado em 1986, tenho grande respeito e admiração, não só como mãe de meus filhos mas, também, pela companheira leal e honesta que sempre foi. Mulher que, da vida humilde e difícil que teve, soube crescer e tornar-se a pessoa admirada que, sempre, foi e é por todos que a conhecem.

                        Quanto aos meus filhos, sempre foram e continuam sendo causa de orgulho para mim, trazendo-me eles somente alegrias.

                        Constituo nova família, casando-me com Tereza Christina Carvalho Amorim. Christina é uma mulher de personalidade desafiadora que, a seu modo e a trancos e barrancos, sem ajuda de ninguém, soube orientar-se na vida, superando todas as agruras a que foi submetida, e vencer. Quando nos casamos, ela já tinha três filhos: Danielle Carvalho Vasconcellos (1974), que me agraciou com uma linda netinha Ana Luíza Vasconcellos de Melo (1998); Marcelo Amorim Vasconcellos (1977); Priscilla Carvalho Vasconcellos (1979).

RELIGIÃO E CRENÇAS

                        Não acredito em espírito, alma, outro mundo, deus ou deuses, muito menos nas mitologias religiosas, seja ela judaica, católica ou qualquer outra. Sou ateu, materialista (na concepção de que tudo é matéria ou resultado dela). Acredito no ser HOMEM, bímanos, como a forma mais evoluída da matéria, e no aperfeiçoamento da sociedade, habitat natural do ser HOMEM (não falo em ser humano, pois à esta espécie incluo os quadrúmanos, como os macacos, orangotangos, chimpanzés, gorilas, jocós).

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